De que forma a gestão orientada para crescimento sustentável pode transformar o desempenho operacional de uma gráfica?

Stefano Bellieri
Stefano Bellieri
Dalmi Defanti

Em uma gráfica, o papel costuma ser pago antes de o produto sair da máquina, e o cliente costuma pagar semanas depois de recebê-lo. Esse intervalo é o dado mais concreto da gestão do setor: quem financia o período entre o desembolso e a entrada é a própria empresa. Na leitura de Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print, o erro mais caro de gestão não é frear o crescimento, é acelerá-lo sem olhar para esse intervalo.

Crescimento sustentável, nesse contexto, não significa crescer devagar. Significa crescer em ritmo compatível com o caixa, com a capacidade instalada e com a margem real de cada linha de produto. Nenhum desses três limites aparece no relatório de vendas. Três erros aparecem com frequência em gráficas que faturam mais a cada ano e continuam apertadas todo mês.

Aceitar todo pedido para não perder o cliente

Um pedido de mil folhetos e um pedido de cinquenta mil ocupam a mesma preparação de máquina. O acerto de cor, o ajuste de registro e a limpeza consomem quase o mesmo tempo nos dois casos, mas só um deles dilui esse custo em muitas unidades. Quando a agenda enche de tiragens pequenas aceitas pelo preço da tabela antiga, a gráfica trabalha mais horas para faturar o mesmo.

O problema não está em atender pedido pequeno, e sim em atendê-lo sem preço próprio. Casas que separam a tabela por faixa de tiragem, cobrando o acerto como item, conseguem manter o cliente pequeno sem subsidiá-lo com o lucro do grande. Recusar trabalho continua sendo exceção; o que muda é a chegada do pedido acompanhado de uma conta que fecha.

Confundir faturamento alto com caixa saudável

O faturamento cresce e o saldo bancário piora. Parece contradição, mas é aritmética de capital de giro: mais produção significa mais papel comprado, mais tinta, mais horas extras e mais impostos, tudo isso antes de o primeiro boleto vencer. Quanto mais rápido o crescimento, maior o valor que a empresa precisa manter parado dentro do próprio ciclo.

Dalmi Defanti
Dalmi Defanti

A saída passa por conhecer o ciclo de cada linha de produto. A Gráfica Print, que atende de editorial e embalagem a comunicação visual e outdoor, convive com prazos de compra e de recebimento diferentes em cada uma dessas frentes. Mapear esse descompasso permite decidir onde acelerar as vendas e onde exigir entrada, em vez de tratar o crescimento como um bloco só.

Não saber quanto custa a própria hora de máquina

Boa parte dos orçamentos do setor nasce de comparação com o concorrente ou de tabela herdada de anos anteriores. Nenhuma das duas informa quanto custa manter aquele equipamento ligado por uma hora, com energia, manutenção, ocupação do galpão, mão de obra e depreciação embutidas. Sem esse número, o desconto concedido na negociação é uma aposta.

Dalmi Defanti sugere começar pelo cálculo mais simples possível: somar os custos fixos do mês, dividir pelas horas realmente produtivas e comparar o resultado com o valor cobrado em cada tipo de trabalho. O exercício costuma revelar que alguns produtos tradicionais da casa sustentam a operação e outros apenas ocupam espaço. É a partir dessa distinção que a empresa escolhe onde crescer.

Crescer no ritmo que a operação sustenta

Gestão orientada para crescimento sustentável não é a que persegue o maior volume possível, e sim a que sabe qual volume a estrutura atual suporta sem perder prazo, qualidade ou caixa. Esse limite não é fixo: sobe quando entra equipamento, quando o processo melhora ou quando a equipe amadurece. O erro é presumir que ele subiu antes que isso acontecesse.

Em Cuiabá, Dalmi Defanti construiu uma operação que passou de uma máquina alugada ao maior parque gráfico de Mato Grosso, e comenta que cada salto exigiu antes uma decisão sobre o que a empresa deixaria de fazer. Crescer, nesse sentido, é menos uma questão de somar clientes do que de escolher com clareza quais deles a operação consegue atender bem.

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