Brasil reforça vacinação contra sarampo após confirmação de novos casos em 2026

Stefano Bellieri
Stefano Bellieri

País registra 27 casos da doença neste ano, enquanto Ministério da Saúde intensifica vigilância epidemiológica e vacinação para interromper a cadeia de transmissão e evitar a volta da circulação endêmica do vírus.

O Brasil intensificou as ações de vacinação e vigilância contra o sarampo após a confirmação de novos casos da doença em 2026. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 28 de agosto apontam 27 casos confirmados no país neste ano. A maior preocupação está concentrada no estado de São Paulo, onde uma cadeia de transmissão permanece ativa e mobiliza autoridades federais, estaduais e municipais de saúde.

Dos 27 casos confirmados em 2026, 24 estão relacionados à cadeia de transmissão iniciada em junho no estado de São Paulo. São 21 registros na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Outros três casos — dois registrados anteriormente em São Paulo e um no Rio de Janeiro — não apresentavam relação entre si e já foram considerados encerrados depois de 12 semanas sem novas ocorrências associadas.

Apesar do aumento dos registros, o Ministério da Saúde informa que o Brasil continua sem circulação endêmica do sarampo. A estratégia das autoridades sanitárias está concentrada justamente em impedir que as transmissões identificadas evoluam para uma circulação sustentada do vírus no território nacional.

Vigilância epidemiológica é intensificada

A resposta não se limita à aplicação de vacinas. O Ministério da Saúde trabalha de maneira integrada com estados e municípios para investigar cada ocorrência, identificar pessoas que tiveram contato com pacientes infectados e encontrar rapidamente possíveis novos casos.

Entre as medidas adotadas estão investigação epidemiológica, acompanhamento de contatos, busca ativa de pessoas com sintomas e bloqueio vacinal. A intensidade das ações pode variar conforme a situação epidemiológica encontrada em cada município.

O controle rápido é especialmente importante porque o sarampo apresenta elevada capacidade de transmissão. A identificação precoce de um paciente permite que as equipes de vigilância investiguem seus contatos e adotem medidas para interromper novas cadeias de transmissão.

Mais de 13 milhões de doses distribuídas

O Ministério da Saúde informou que mais de 13 milhões de doses da vacina tríplice viral já foram distribuídas para estados e municípios durante 2026. Mais de 5,4 milhões de doses haviam sido aplicadas no país até a atualização divulgada em 28 de agosto.

A tríplice viral oferece proteção contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. A vacinação permanece como principal instrumento de prevenção contra o sarampo e de interrupção das cadeias de transmissão.

A mobilização ocorre paralelamente à Campanha Nacional de Multivacinação de 2026, que segue até 1º de setembro. A campanha permite que pais e responsáveis levem crianças e adolescentes menores de 15 anos aos serviços de saúde para verificar a caderneta e atualizar as doses necessárias.

São Paulo concentra cadeia ativa de transmissão

A situação epidemiológica levou à adoção de uma estratégia especial em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Nessas localidades, a vacinação contra o sarampo foi ampliada diante da cadeia de transmissão identificada.

Uma das medidas é a aplicação da chamada “dose zero” em crianças entre 6 e 11 meses. Trata-se de uma proteção adicional utilizada em situações de maior risco epidemiológico.

Essa aplicação antecipada, porém, não substitui o esquema regular de vacinação infantil. Mesmo depois de receber a dose zero, a criança deverá receber as doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação aos 12 e aos 15 meses.

Quem precisa tomar a vacina?

No calendário de rotina, crianças recebem a primeira dose da tríplice viral aos 12 meses e a segunda aos 15 meses. Pessoas de até 29 anos que não foram vacinadas ou não conseguem comprovar a vacinação devem receber duas doses, respeitando intervalo mínimo de 30 dias.

Para adultos entre 30 e 59 anos sem comprovação adequada de vacinação, a recomendação nacional é de uma dose. Em situações de circulação do vírus, entretanto, as autoridades sanitárias podem ampliar temporariamente as estratégias conforme o risco epidemiológico de determinada região.

É justamente o que está ocorrendo em áreas da Grande São Paulo. A estratégia extraordinária busca elevar rapidamente o número de pessoas protegidas ao redor dos locais onde houve transmissão.

Cobertura vacinal voltou a crescer

Apesar da preocupação atual, os indicadores nacionais mostram uma recuperação recente da vacinação. Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura da tríplice viral voltou a crescer a partir de 2023, depois de seis anos consecutivos de queda.

A cobertura, que estava abaixo de 80% em 2021, ultrapassou 93% em 2025. O resultado do ano passado foi apontado pelo governo federal como o melhor dos últimos nove anos.

A recuperação é particularmente importante porque coberturas elevadas reduzem a quantidade de pessoas suscetíveis ao vírus. Quando uma pessoa infectada chega ao país, encontrar uma população amplamente imunizada diminui a possibilidade de formação de grandes cadeias de transmissão.

Casos importados continuam sendo preocupação

A situação brasileira também precisa ser observada dentro de um cenário internacional. As Américas registram forte avanço do sarampo em 2026. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde a partir de alerta da Organização Pan-Americana da Saúde apontaram que a região enfrentava o maior número de casos confirmados dos últimos 22 anos.

Até 13 de junho, haviam sido confirmados 22.324 casos em 17 países e territórios das Américas, além de 38 mortes. México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá concentravam 97% dos registros contabilizados naquele levantamento.

Esse cenário aumenta o risco de pessoas infectadas chegarem ao Brasil durante viagens internacionais. Por isso, manter altas coberturas vacinais é importante mesmo em regiões brasileiras que atualmente não apresentam transmissão.

Brasil permanece livre da circulação endêmica

Embora existam casos confirmados, isso não significa que o sarampo tenha voltado a circular de maneira endêmica pelo país. O Ministério da Saúde afirma que o Brasil permanece livre da circulação endêmica do vírus.

Em 2025, por exemplo, foram registrados 38 casos importados ou relacionados à importação. As cadeias foram controladas pelas ações de vigilância epidemiológica e vacinação.

O desafio de 2026 é repetir essa capacidade de resposta diante da cadeia atualmente identificada em São Paulo. A rapidez na investigação e a ampliação da cobertura vacinal são consideradas essenciais para evitar que o vírus encontre grupos suficientemente grandes de pessoas suscetíveis para manter a transmissão.

Sarampo exige atenção aos sintomas

O sarampo é uma doença infecciosa viral altamente contagiosa. Entre suas manifestações características estão febre e manchas avermelhadas na pele, podendo também ocorrer tosse, coriza e irritação nos olhos.

Embora muitas pessoas apresentem recuperação, a doença pode provocar complicações importantes, especialmente em crianças pequenas e pessoas mais vulneráveis. Pneumonia e outras complicações estão entre os riscos associados à infecção.

Diante da suspeita da doença, a orientação é procurar atendimento de saúde para avaliação adequada. A identificação rápida também permite que os serviços de vigilância adotem medidas destinadas a reduzir a exposição de outras pessoas.

Vacinação continua sendo principal estratégia

A mobilização de agosto mostra que o controle do sarampo depende de uma combinação entre vacinação e vigilância epidemiológica. Mesmo sem circulação endêmica, a existência de surtos em outros países significa que novas introduções do vírus continuam possíveis.

Por esse motivo, o Ministério da Saúde recomenda que a população verifique sua situação vacinal e mantenha a caderneta atualizada. A tríplice viral é oferecida gratuitamente pelo SUS e permanece como principal instrumento para prevenir a doença.

Com 27 casos confirmados em 2026 e uma cadeia de transmissão ainda ativa em São Paulo, as próximas semanas serão importantes para acompanhar a evolução do cenário. O objetivo das autoridades sanitárias é interromper essa cadeia e impedir que o sarampo volte a estabelecer circulação sustentada no Brasil.

Fontes:

Ministério da Saúde — atualização oficial sobre o sarampo

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