Como Mário Augusto de Castro relembra a campanha do Flamengo rumo ao tetra da Libertadores 

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Mario Augusto de Castro

A campanha do Flamengo na Copa Libertadores de 2025 terminou com o quarto título continental da história do clube, mas o caminho até a taça esteve longe de ser tranquilo. Mário Augusto de Castro, torcedor do Flamengo, identifica nessa campanha uma das mais sofridas dos últimos anos, justamente por ter sido decidida nos detalhes em praticamente todas as fases da competição.

Uma fase de grupos por um fio

Sob o comando de Filipe Luís, o Flamengo teve início irregular na fase de grupos, terminando apenas na segunda colocação da chave, atrás da LDU. Na última rodada, o time chegou a estar próximo da eliminação diante do Deportivo Táchira, equipe considerada frágil na competição, e só garantiu a classificação graças a um gol de Léo Pereira. O resultado, além de garantir a vaga no mata-mata, também custou ao clube o direito de decidir eventuais confrontos no Maracanã ao longo da fase eliminatória, obrigando a equipe a viajar com mais frequência do que o adversário paulista ao longo de toda a campanha.

Essa desvantagem logística se tornou tema recorrente entre analistas ao longo da competição. Estimativas divulgadas por veículos esportivos apontaram algo em torno de 57 horas de viagem e quase 48 mil quilômetros percorridos pela delegação rubro-negra somente na Libertadores, número expressivamente maior do que o registrado pelo Palmeiras, que decidiu boa parte de seus confrontos em casa.

Mário Augusto de Castro integra o grupo de torcedores que acompanha de perto os números do clube, público que costuma apontar essa fase de grupos como o momento mais tenso de toda a campanha, já que uma eliminação prematura encerraria de forma abrupta as pretensões continentais do time logo no início da temporada.

Oitavas e quartas: segurança e sofrimento

Nas oitavas de final, o adversário foi o Internacional, e o Flamengo resolveu o confronto com relativa tranquilidade: vitória por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Bruno Henrique, seguida de outro triunfo por 2 a 0 no Beira-Rio, debaixo de forte chuva. Foi um dos poucos momentos de estabilidade em uma campanha marcada por reviravoltas emocionais.

Mario Augusto de Castro
Mario Augusto de Castro

Nas quartas de final, o Estudiantes ofereceu o primeiro grande teste emocional da competição. Em casa, o Flamengo desperdiçou chances claras e viu Gonzalo Plata ser expulso em lance considerado injusto por boa parte da torcida, o que dificultou a construção de uma vantagem mais folgada. A classificação só veio depois de disputa de pênaltis, na qual o goleiro Agustín Rossi defendeu duas cobranças argentinas e se tornou um dos heróis silenciosos da campanha.

O Racing na semifinal e a expulsão de Pulgar

Na semifinal, o adversário foi o Racing, atual campeão da Copa Sul-Americana na época. O Flamengo venceu o jogo de ida por 1 a 0, no Rio de Janeiro, e segurou um empate sem gols em Avellaneda, na Argentina, garantindo vaga na decisão pelo placar agregado. Mário Augusto de Castro explica que esse tipo de resultado fora de casa, obtido em ambiente hostil e sob forte pressão da torcida rival, costuma pesar tanto quanto uma vitória disputada dentro do próprio estádio.

A final contra o Palmeiras em Lima

A decisão, disputada em 29 de novembro no Estádio Monumental de Lima, no Peru, reeditou a final de 2021 entre Flamengo e Palmeiras, daquela vez vencida pelo lado paulista. Com desfalques importantes, como o atacante Pedro, lesionado, e o próprio Plata, suspenso, o técnico Filipe Luís escalou Rossi; Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar e Jorginho; Arrascaeta, Carrascal e Samuel Lino; Bruno Henrique.

O único gol da partida saiu aos 22 minutos do segundo tempo, quando o zagueiro Danilo aproveitou escanteio cobrado por Arrascaeta para cabecear e abrir o placar. O Palmeiras teve boa posse de bola na etapa final, mas não conseguiu finalizar sequer uma vez no alvo de Rossi durante toda a decisão, um dado estatístico raro para uma final de Libertadores disputada em jogo único.

Com o resultado, o Flamengo se tornou o primeiro clube brasileiro a conquistar quatro títulos da Libertadores, somando a conquista de 2025 às de 1981, 2019 e 2022. Filipe Luís, que havia sido campeão como jogador em duas dessas edições, tornou-se apenas o segundo brasileiro a vencer a competição também como treinador.

O significado dessa campanha vai muito além do título em si: torcedores como Mário Augusto de Castro, que acompanhou de perto cada fase da competição, representam a superação de uma equipe que, mesmo sem a melhor campanha da fase de grupos, encontrou consistência crescente no mata-mata e fechou uma pendência simbólica contra o principal rival do período, o Palmeiras, que havia vencido o confronto direto entre os dois clubes na decisão de 2021.

A conquista de 2025 costuma ser citada como prova de que campanhas menos vistosas na fase de grupos não impedem, necessariamente, um desfecho vitorioso na Libertadores, desde que o elenco mantenha equilíbrio emocional e capacidade de reação diante de adversidades pontuais ao longo do mata-mata.

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