Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, acompanha uma área em que saúde e participação social se encontram de maneira direta. Na terceira idade, estar incluído significa mais do que ter acesso a atendimento médico: envolve poder circular, manter vínculos, tomar decisões e participar de atividades que tenham significado. Barreiras físicas, financeiras, digitais e até comportamentais ainda podem limitar essa participação e afetar a maneira como a pessoa envelhece.
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O que significa estar socialmente incluído depois dos 60?
Inclusão social não se resume à presença física em determinados espaços. Uma pessoa pode frequentar uma praça, um serviço público ou uma atividade comunitária e, ainda assim, permanecer isolada de decisões, relações e oportunidades. Participar envolve ter condições para interagir, expressar preferências e continuar exercendo diferentes papéis na sociedade. Também significa ter voz para escolher o que deseja fazer, com quem deseja conviver e de que maneira pretende participar da comunidade em que vive.
Na velhice, essas possibilidades podem diminuir quando mudanças de saúde ou de rotina levam ao afastamento de atividades. A aposentadoria, a perda de pessoas próximas e a redução da mobilidade podem alterar a rede de convivência. Quando essas mudanças não são acompanhadas por novas formas de participação, o isolamento pode se tornar parte da rotina. A ausência de alternativas de convivência pode fazer com que o afastamento se prolongue e seja percebido apenas quando já estiver interferindo no bem-estar e na autonomia da pessoa idosa.
Assim como comunica Yuri Silva Portela, o problema é que a exclusão social também pode repercutir sobre a saúde. Menos contato com outras pessoas pode reduzir estímulos, oportunidades de movimento e até a motivação para manter determinadas atividades. Assim sendo, ampliar a participação do idoso não é apenas uma questão social, mas também uma forma de olhar para o cuidado de maneira mais ampla.
Como o ambiente pode afastar a pessoa idosa?
A estrutura das cidades interfere diretamente na possibilidade de participação, destaca o Doutor Yuri Silva Portela. Calçadas irregulares, falta de bancos para descanso, transporte pouco acessível e iluminação insuficiente podem fazer com que o idoso reduza seus deslocamentos. Aos poucos, atividades simples, como ir a uma feira ou encontrar amigos, podem se tornar difíceis. Quando esses obstáculos aparecem de forma constante, o idoso pode passar a depender de outras pessoas para atividades que antes realizava sozinho, reduzindo sua liberdade de circulação e convivência.

Dentro de casa, o mesmo princípio pode aparecer. Quando o espaço não oferece segurança para circulação, a pessoa pode depender mais de familiares e evitar determinadas tarefas. Essa redução da autonomia tende a afetar também a vida social, principalmente quando sair de casa passa a exigir planejamento ou acompanhamento constante. Adaptações simples no ambiente podem facilitar a realização das tarefas e oferecer mais segurança, permitindo que o idoso mantenha parte de sua independência e continue participando da rotina familiar e comunitária.
A tecnologia está incluindo ou criando novas barreiras? Veja com o Doutor Yuri Silva Portela
Serviços digitais, aplicativos e atendimentos virtuais passaram a fazer parte de várias atividades do cotidiano. Para muitos idosos, essas ferramentas podem facilitar o acesso a informações, comunicação e serviços. Para outros, porém, a falta de familiaridade com plataformas digitais pode produzir uma nova camada de exclusão. Quando essa dificuldade envolve serviços de saúde, o impacto pode ser ainda maior, principalmente para quem depende de agendamentos, resultados ou orientações disponibilizados por esses canais.
A dificuldade não está necessariamente na idade, mas nas condições de acesso e aprendizado, comenta o Doutor Yuri Silva Portela. Tela pequena, excesso de etapas, linguagem pouco clara e ausência de orientação podem tornar uma tarefa simples mais complicada. Quando serviços importantes migram para o ambiente digital sem alternativas adequadas, parte da população pode ter dificuldade para acompanhá-los. Além da falta de conhecimento, problemas de conexão, equipamentos inadequados e ausência de alguém para oferecer suporte podem tornar o processo ainda mais difícil para algumas pessoas.
Em suma, a inclusão digital não deve significar apenas entregar um celular ou disponibilizar um aplicativo. É preciso considerar se a ferramenta é acessível, se existe suporte para aprendizado e se o usuário consegue resolver o que precisa sem depender de terceiros. A tecnologia pode ampliar autonomia, mas somente quando for pensada para diferentes perfis de usuários. Manter canais presenciais e telefônicos também pode ser importante para garantir que a digitalização dos serviços não se transforme em uma nova barreira para quem ainda precisa de outras formas de atendimento.
