Ministério da Saúde apresentou em Nova York iniciativas brasileiras para ampliar o cuidado à menopausa e fortalecer o diagnóstico e o acompanhamento de pessoas com doenças raras
O Ministério da Saúde apresentou, em 23 de setembro de 2026, durante a Semana de Alto Nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, experiências desenvolvidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nas áreas de atenção à menopausa e doenças raras. As iniciativas foram discutidas em dois eventos realizados em Nova York e envolveram temas como atenção primária, formação de profissionais, diagnóstico precoce, triagem neonatal e sequenciamento genético. (GOV.BR)
Atenção à menopausa ganha espaço nas políticas de saúde
Durante o primeiro encontro, dedicado à integração do cuidado à menopausa aos sistemas de saúde, o Ministério da Saúde destacou a importância de ampliar a atuação da Atenção Primária à Saúde (APS). A proposta apresentada considera a atenção básica como uma das principais portas de entrada do SUS e como espaço para acompanhamento contínuo das mulheres durante a transição menopausal e após a menopausa. (GOV.BR)
A discussão também envolveu a necessidade de ampliar a produção científica e qualificar profissionais para lidar com as diferentes necessidades apresentadas pelas mulheres nesse período. Segundo o Ministério da Saúde, estão em desenvolvimento ações de formação profissional, orientações nacionais para o cuidado durante a transição menopausal e iniciativas destinadas a disseminar boas práticas dentro da rede pública.
A abordagem defendida pelo governo brasileiro busca integrar diferentes dimensões do cuidado, incluindo informações sobre hábitos de vida, saúde mental, autocuidado e tratamentos quando houver indicação clínica. A proposta apresentada na ONU também ressalta que a menopausa não deve ser tratada automaticamente como uma doença, mas que os serviços de saúde precisam estar preparados para identificar e acompanhar situações que demandem atenção médica. (GOV.BR)
A discussão internacional ocorre em meio ao esforço de diferentes sistemas de saúde para ampliar a assistência às mulheres nessa fase da vida. No caso brasileiro, a estratégia apresentada envolve a articulação entre União, estados, municípios, profissionais de saúde, instituições de ensino e pesquisa e as próprias mulheres.
Doenças raras entram no debate sobre cobertura universal
Em outro evento realizado durante a programação da ONU, o Ministério da Saúde apresentou a experiência brasileira na organização da atenção às pessoas com doenças raras. O governo defendeu que esse grupo seja incluído de maneira integral nas estratégias de cobertura universal de saúde, com acesso a diagnóstico oportuno, acompanhamento contínuo e tratamentos disponíveis. (GOV.BR)
O Brasil possui desde 2014 uma Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras. Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, a rede especializada conta com 60 serviços habilitados, responsáveis pelo atendimento e acompanhamento de pacientes com diferentes condições raras. (GOV.BR)
Entre as ferramentas destacadas na apresentação está o Programa Nacional de Triagem Neonatal, que permite identificar determinadas condições ainda nos primeiros dias de vida. O Ministério também citou a implementação do Sequenciamento Completo do Exoma na rede pública, exame capaz de investigar alterações genéticas associadas a diferentes doenças e que pode contribuir para reduzir o tempo até a obtenção de um diagnóstico.
A ampliação do diagnóstico é especialmente relevante para pacientes que enfrentam longos períodos até descobrir a causa de seus sintomas. A utilização de tecnologias genéticas na rede pública pode ajudar a direcionar investigações clínicas e, em determinados casos, contribuir para a definição de estratégias de acompanhamento e tratamento.
Tecnologias e tratamentos também são desafios para o SUS
Outro ponto apresentado pelo Brasil foi o acesso às chamadas terapias inovadoras. O Ministério da Saúde destacou que a incorporação de novas tecnologias precisa ser acompanhada de mecanismos que permitam ampliar o acesso sem comprometer a sustentabilidade dos sistemas públicos de saúde. (GOV.BR)
Entre os exemplos citados está o uso de mecanismos de compartilhamento de risco para viabilizar o acesso ao Zolgensma, utilizado no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME). A estratégia é apresentada como uma forma de lidar com medicamentos de alto custo enquanto são considerados aspectos relacionados ao financiamento e aos resultados clínicos.
A discussão também envolve o fortalecimento da capacidade brasileira de desenvolver e produzir tecnologias de saúde. Segundo o Ministério da Saúde, iniciativas de desenvolvimento clínico, transferência de tecnologia e produção nacional fazem parte das estratégias para ampliar a autonomia do sistema e reduzir vulnerabilidades relacionadas ao acesso a produtos e tratamentos inovadores.
No cenário internacional, o governo brasileiro afirmou que pretende compartilhar experiências com outros países, inclusive por meio da cooperação Sul-Sul. A proposta envolve áreas como triagem neonatal, organização das redes de atenção, diagnóstico de doenças raras e acesso a tecnologias de saúde. (GOV.BR)
Debate sobre doenças raras ganha dimensão internacional
A discussão sobre doenças raras também ocorre em um contexto de maior atenção internacional ao tema. O Ministério da Saúde destacou que, em 2025, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou a primeira resolução da Organização Mundial da Saúde dedicada especificamente às doenças raras. A iniciativa reconheceu o tema como uma questão de saúde global e estabeleceu a elaboração de um plano de ação internacional para os próximos dez anos. (GOV.BR)
Para o Brasil, a participação nesse debate permite apresentar experiências desenvolvidas dentro do SUS e, ao mesmo tempo, acompanhar estratégias adotadas por outros países. O intercâmbio pode envolver modelos de diagnóstico, organização dos serviços especializados, incorporação de tecnologias e políticas voltadas às famílias de pessoas com condições raras.
A agenda também reforça a importância de aproximar pesquisa científica, atendimento médico e políticas públicas. Em doenças de baixa prevalência, a identificação correta da condição pode ser um dos principais desafios enfrentados por pacientes e profissionais, tornando ferramentas de diagnóstico e redes especializadas elementos importantes da assistência.
As experiências brasileiras apresentadas em Nova York fazem parte da participação do Ministério da Saúde na Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. A programação do governo brasileiro inclui ainda debates sobre HIV, produção de medicamentos, tecnologias de saúde e cooperação internacional. (GOV.BR)
O que muda para pacientes e profissionais
As iniciativas apresentadas na ONU mostram duas frentes diferentes de atuação do sistema de saúde. Na atenção à menopausa, o foco está na ampliação da informação, na qualificação dos profissionais e na integração do acompanhamento à atenção primária. Nas doenças raras, as estratégias envolvem diagnóstico precoce, redes especializadas, tecnologias genéticas e acesso a tratamentos.
Para os pacientes, a ampliação dessas políticas pode representar maior integração entre diferentes etapas da assistência. No caso das doenças raras, por exemplo, a combinação de triagem, exames genéticos e serviços especializados pode contribuir para reduzir obstáculos no processo diagnóstico.
Já no cuidado à menopausa, a integração com a atenção primária busca aproximar esse acompanhamento das unidades de saúde utilizadas regularmente pela população. A proposta também enfatiza informação qualificada e participação das mulheres nas decisões relacionadas ao próprio cuidado. (GOV.BR)
A apresentação brasileira na ONU, portanto, colocou em discussão experiências do SUS que envolvem desde o atendimento cotidiano nas unidades básicas até tecnologias avançadas de diagnóstico. O desafio agora é transformar essas estratégias em ações cada vez mais abrangentes dentro da rede pública e acompanhar seus resultados ao longo dos próximos anos.
