Dado divulgado pela ANBIMA mostra volume mais que dobrado em relação ao mesmo período do ano anterior, puxado por renda fixa e por fundos estruturados, movimento que exige capacidade transacional cada vez maior de administradores fiduciários e custodiantes
A ID CTVM acompanha, no balanço do primeiro semestre de 2026 divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a confirmação de um patamar inédito de captação para a indústria brasileira de fundos de investimento, cenário que Rodrigo Balassiano considera relevante para a infraestrutura do setor. A ID CTVM, que presta serviços de custódia, controladoria e escrituração a fundos estruturados, observa, segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, que o volume de R$ 184,7 bilhões em captação líquida registrado no período, mais que o dobro do resultado apurado no mesmo intervalo do ano anterior, impõe uma exigência proporcional sobre a capacidade operacional de quem sustenta o funcionamento diário desses veículos.
Renda fixa e fundos estruturados puxam o resultado do semestre
O desempenho da indústria no primeiro semestre de 2026 tem como principal característica a concentração dos aportes em produtos de renda fixa e em fundos estruturados, categoria que reúne FIDCs e carteiras voltadas a projetos de infraestrutura. Essa preferência reflete a busca de investidores institucionais e de varejo por rentabilidade real em um ambiente de juros que segue favorecendo a alocação em papéis de crédito privado, em detrimento de estratégias de maior risco vinculadas à renda variável.
O crescimento acentuado da captação em relação ao ano anterior não decorre de um único fator isolado, mas da combinação entre a maturidade regulatória alcançada por instrumentos como o FIDC nos últimos anos e a ampliação da base de investidores que já compreende, com mais familiaridade, o funcionamento desses produtos. Essa combinação tende a se manter enquanto o diferencial de retorno entre o crédito privado e outras alternativas de investimento permanecer relevante para o investidor brasileiro.
Absorver quase R$ 200 bilhões em seis meses exige capacidade transacional robusta
Processar um volume próximo de R$ 200 bilhões em captações líquidas ao longo de um único semestre impõe uma exigência direta sobre a estrutura de custódia, controladoria e escrituração responsável por cada fundo. Todo novo aporte precisa ser reconhecido, alocado e refletido na posição do cotista dentro de uma janela de tempo compatível com a expectativa de um mercado que já opera, em grande parte, com liquidação em tempo real.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o resultado divulgado pela ANBIMA confirma uma mudança de patamar que não pode ser sustentada apenas por processos manuais ou por sistemas dimensionados para um volume menor de operações:
“Um crescimento dessa magnitude só se sustenta se a retaguarda operacional acompanhar o mesmo ritmo. Não adianta o mercado crescer se a estrutura de custódia e controladoria por trás de cada fundo não tiver capacidade de processar esse volume com precisão e dentro do prazo que o investidor espera”, avalia o executivo.
Conciliação bancária automatizada reduz o risco de represamento de recursos
Um dos pontos mais sensíveis desse tipo de crescimento acelerado é a conciliação entre os recursos que efetivamente ingressam nas contas de um fundo e o reconhecimento dessa entrada dentro do sistema de controladoria responsável por calcular o valor da cota. Quando esse processo depende de conferência manual, um volume elevado de aportes simultâneos pode gerar atrasos que, ainda que pequenos, afetam a precisão da cota diária e, em consequência, a percepção de qualidade do serviço prestado ao investidor.
A automação da conciliação bancária, sobretudo por meio de mecanismos como Pix e TED integrados diretamente aos sistemas de controladoria, elimina boa parte dessa fragilidade ao permitir que o reconhecimento de um novo aporte ocorra de forma praticamente instantânea, sem depender de conferência manual de extratos ou de importação posterior de arquivos bancários.
Integração com registradoras evita represamento na alocação de novos títulos
Além da entrada de recursos propriamente dita, o segundo gargalo relevante em um cenário de captação acelerada está na velocidade com que esses recursos são efetivamente alocados em novos ativos, sobretudo quando o fundo depende do registro de títulos de crédito privado em uma registradora autorizada pelo Banco Central antes de poder liquidar uma nova aquisição. Uma integração direta via API entre o administrador fiduciário e essas registradoras permite que a alocação de um novo título ocorra com liquidação praticamente imediata, evitando que o caixa captado fique parado à espera de um processo manual de registro e conferência.
Esse tipo de integração se torna especialmente relevante para fundos que buscam manter a rentabilidade de sua carteira otimizada, já que qualquer período em que os recursos permanecem sem alocação representa um custo de oportunidade direto para o cotista, num contexto em que a diferença de poucos dias de exposição a um ativo de crédito privado pode impactar o resultado final de uma carteira.
Transparência e agilidade de relatórios sustentam a confiança do investidor
Com um volume maior de recursos sob gestão e uma base de investidores mais numerosa, a agilidade na emissão de relatórios de desempenho e informes diários também ganha peso como fator de diferenciação entre prestadores de infraestrutura fiduciária. A ID CTVM, que reúne mais de 9 mil contas operacionais ativas vinculadas a fundos e emissores sob sua administração e custódia, direciona parte relevante de seus investimentos em tecnologia justamente para sustentar esse nível de transparência mesmo em um cenário de crescimento acelerado do volume de operações.
Perspectivas para a continuidade do ciclo de captação
Com o cenário de juros seguindo favorável à manutenção do apetite por renda fixa securitizada e por fundos estruturados, a tendência é que a indústria de fundos brasileira mantenha, nos próximos semestres, um ritmo de captação em patamar elevado, o que reforça a necessidade de investimento contínuo em tecnologia por parte de administradores fiduciários e custodiantes. Para gestoras que buscam parceiros de infraestrutura capazes de acompanhar esse crescimento, a capacidade comprovada de processar grandes volumes sem represamento operacional deve se consolidar como um dos principais critérios de avaliação nos próximos anos.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
