Missão luso-brasileira na China reforçou pontes comerciais entre Europa, Ásia e América do Sul

Roman Lebedev
Roman Lebedev
Paulo Roberto Gomes Fernandes analisa como a missão luso-brasileira na China reforçou as pontes comerciais entre Europa, Ásia e América do Sul.

Entre agendas institucionais e visitas técnicas realizadas em março de 2024, Paulo Roberto Gomes Fernandes integrou uma missão empresarial organizada conjuntamente pelos governos de Portugal e de Macau com o objetivo de ampliar relações comerciais com grupos chineses sediados em Hong Kong, Macau, Zhuhai e Shenzhen. A comitiva reuniu onze empresários portugueses e contou com a participação de apenas um representante brasileiro, reforçando o caráter estratégico da presença do Brasil naquele circuito de negociações.

A iniciativa foi direcionada a empresas previamente selecionadas pelos governos português e chinês, consideradas capazes de gerar parcerias estruturantes nos setores de engenharia, construção, infraestrutura e gerenciamento de grandes projetos. A missão também teve como pano de fundo a intensificação da cooperação sino-portuguesa, especialmente diante dos investimentos em curso da China Construction em Portugal, notadamente na região de Oeiras, onde está sendo implantado um amplo complexo residencial e comercial no entorno do Tagus Park.

A presença brasileira em um ambiente dominado por interesses europeus e asiáticos

A participação da Liderroll na missão ocorreu em função de sua vinculação institucional à OVIA (Oeiras Valley Investment Agency), entidade que atua na atração de investimentos internacionais e na internacionalização de empresas com potencial tecnológico. Embora inserida formalmente na delegação portuguesa, a atuação do empresário brasileiro teve um objetivo adicional: apresentar o Brasil como destino estratégico para investimentos chineses em engenharia pesada, infraestrutura e sistemas construtivos avançados.

Paulo Roberto Gomes Fernandes evidencia que, durante a semana de compromissos, a delegação percorreu instalações industriais, centros de desenvolvimento tecnológico e canteiros de obras, todos previamente alinhados ao perfil das empresas participantes. Além das visitas técnicas, a agenda incluiu reuniões de negócios, almoços institucionais e encontros reservados com executivos chineses interessados em compreender melhor o ambiente regulatório e as oportunidades de atuação fora da Ásia e da Europa.

Ao final do primeiro dia de atividades, a avaliação foi marcada por surpresa positiva em relação ao nível tecnológico observado. Os métodos construtivos, os padrões de acabamento, a cultura de segurança do trabalho e a integração entre engenharia e arquitetura chamaram atenção pelo grau de modernidade e pela rapidez com que essas soluções foram incorporadas ao cotidiano industrial chinês.

Tecnologia, engenharia e diálogo regulatório como diferenciais

Em conversas mantidas durante a missão, Paulo Roberto Gomes Fernandes destacou que a receptividade chinesa a soluções técnicas brasileiras foi maior do que a normalmente encontrada no mercado interno. Temas defendidos por ele há mais de uma década no Brasil, como a adoção de sistemas de dutos aparentes em grandes distâncias, foram recebidos com naturalidade por engenheiros e gestores chineses, acostumados a modelos construtivos menos engessados do ponto de vista regulatório.

Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a articulação luso-brasileira na China ampliou a integração entre os mercados europeu, asiático e sul-americano.
Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, a articulação luso-brasileira na China ampliou a integração entre os mercados europeu, asiático e sul-americano.

A Liderroll apresentou sua experiência no desenvolvimento de tecnologias para suportação e lançamento de tubulações de grande porte, inclusive em túneis e ambientes confinados, ressaltando a capacidade de reduzir prazos de obra e aumentar a segurança operacional. Esses pontos despertaram interesse imediato, sobretudo em projetos que envolvem logística complexa, grandes extensões e integração com obras civis de alta densidade.

Além do setor de dutos, surgiram possibilidades de ampliação de atuação para áreas da construção civil pesada e de montagens industriais, campos nos quais a engenharia brasileira já possui histórico relevante e capacidade técnica reconhecida internacionalmente.

Entrosamento com empresários portugueses e visão estratégica compartilhada

Outro aspecto destacado ao longo da missão foi o elevado nível de entrosamento entre os empresários portugueses e o representante brasileiro. Muitos dos participantes já mantinham relações comerciais prévias e haviam participado de encontros anteriores em Lisboa e Oeiras, o que facilitou a construção de uma narrativa comum diante dos interlocutores chineses.

Paulo Roberto Gomes Fernandes elucida que a tradição portuguesa no comércio internacional e na navegação foi frequentemente mencionada como elemento cultural que ainda hoje se reflete na capacidade de articulação empresarial. A presença do idioma português em Macau e a atuação ativa do consulado de Portugal contribuíram para abrir portas institucionais e acelerar entendimentos comerciais.

Durante a missão, também foi formalizado um convite para que executivos da China Construction realizassem uma visita ao Rio de Janeiro nos meses seguintes, com o objetivo de conhecer melhor o ambiente brasileiro e avaliar oportunidades concretas de parceria. A sinalização positiva recebida reforçou a percepção de que o diálogo iniciado na Ásia poderia se desdobrar em projetos efetivos no médio prazo.

Um balanço de oportunidades e aprendizados

Ao término da agenda, o balanço da missão foi considerado amplamente positivo. Mais do que contratos imediatos, o principal resultado foi a abertura de canais de diálogo qualificado, baseados em troca de conhecimento técnico, visão estratégica e compreensão mútua dos desafios regulatórios e operacionais de cada país.

A experiência reforçou a percepção de que a engenharia brasileira possui capacidade de contribuir de forma relevante em projetos globais, desde que esteja inserida em ambientes de cooperação internacional estruturada. Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que, para a Liderroll, a missão representou mais um passo no processo de internacionalização iniciado anos antes, agora ampliado para o eixo Ásia-Europa-América do Sul.

Autor: Roman Lebedev

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